LAS FILIGRANAS DE PERDER
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julio 09, 2007

Enfim. Sonhar-Te - Colaboración desde Portugal


ENFIM. SONHAR-TE
Jorge Humberto

Chegar a casa e desejar-te,
embriagado pelo teu cheiro,
e só poder, enfim, sonhar-te -
com o que isso tem de verdadeiro -,

Tendo apenas uma pequeníssima parte
de um todo que se quer inteiro,
torna-se tão mais difícil arte,
quanto mais longe o teu cheiro.

Mas se a memória se sujeita
ao dolo da vontade intransigente,
se se obriga e nela aceita,

A imagem distante e verdadeira,
terá no esforço aparente,
a sua reconciliação derradeira.

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julio 06, 2007

O Velho Limoeiro - Colaboración desde Portugal


O VELHO LIMOEIRO
Jorge Humberto

Junto à minha janela há um velho limoeiro
retorcido pela idade e tenaz companheiro
das minhas horas mais tristes, na solidão
de meu quarto, onde guardo certo alazão,

Que já não cumpre idade, tantas as lutas
que travamos, cumpridas as permutas,
que nos aliviavam o cansaço dos corpos,
quando estes jaziam no chão quase mortos.

Hoje tudo isso acabou, já não tem idade
para estas aventuras, tornando-se depósito
se lixo pelas mãos insalubres da insanidade,

De pessoas que não souberam sonhar
na vida e como vermes caminham a propósito
de um velho costume, que as faz desdenhar.

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junio 15, 2007

Lembro… De Minha Infância - Colaboración desde Portugal


LEMBRO… DE MINHA INFÂNCIA
Jorge Humberto

Lembro, de minha infância, que já era adulto
antes de ser criança. Fascinado me via,
com o que o mundo me dava a ver – indulto
da natureza que, presente, nada escondia.

Lembro ainda, se a memória não me atraiçoa,
que me sentia o defensor do mais fraco –
não cabe aqui a demérita e astuta loa,
quando vinham até mim vítimas de maltrato.

Muitas lutas travei para defender o inerme,
mas aqui a nada nem a ninguém deve,
se a escolha se fez com a própria epiderme.

Hoje sigo com as mesmas convicções,
argonauta da estratosfera, que nada teme,
porque não entra em dúbias contradições.

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junio 14, 2007

Laicismo - Colaboración desde Portugal


LAICISMO
Jorge Humberto

Concordo plenamente com todo o laicismo,
assim como discordo do nacional socialismo
ou do comunismo, comodista e arcaico…
sou anarquista e agnóstico não laico.

As religiões fizeram-se para estar na igreja,
não para suportar governos ou a deixa
de outras instituições — e a França rejubilou
quando o laicismo em separado conquistou.

Nem Marx nem Jesus: um porque era um
teólogo fraco, outro porque morreu de jejum.
Já Nietzsche, falava de uma raça altruísta,

Onde o forte sobrepunha-se ao mais fraco,
propaganda para o nazi mais barato —
que viva o homem consciente e separatista.

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A Fome é uma Realidade - Colaboración desde Portugal


A FOME É UMA REALIDADE
Jorge Humberto

Vejam! vejam aquela criança no chão,
ela é fruto de toda a nossa ingratidão!
Passamos por ela e nada nos padece!
A meio ao papelão, jaz fria e arrefece.

Roupas esburacadas são o sortilégio,
de quem não teve na vida o privilégio
de ser criança em toda a sua plenitude!
e anda na vida com um só queixume:

Ser como todas as outras crianças ali,
comer boa comida como lhe é devida
resgatando assim, dos confins a vida

À muito perdida… e mesmo que o fim
seja a tua pobreza, não faças alarido,
também eu andei no mundo perdido...

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mayo 30, 2007

Homem Comum - Colaboración desde Portugal


HOMEM COMUM
Jorge Humberto

Que cena bonita e idílica esta que meus
olhos vêem. Correndo para os braços
dos filhos pais chamam-lhes de seus,
e perdem-se entre carinhos e abraços.

Ah, não ser eu assim, e ter também alguém
a quem chamar de seu, depois de um dia
de trabalho… mas eu sou de ninguém –
Enquanto lá fora a noite prazenteira se ia.

Oh, fado meu, que me tiraste toda a alegria,
miserável se fez o dia em que te conheci.
E o embaraço roubou-me o que se fazia,

certo e desenvolto, quando do mais alto
de mim, para me perder no mundo parti,
não me achando mais tomei-me de assalto.

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mayo 28, 2007

Sobre A Realidade - Colaboración desde Lisboa, Portugal


SOBRE A REALIDADE
Jorge Humberto

A realidade do homem é o seu imaginário,
está no seu poder distante e contrário,
chamar ao sonho uma nova realidade
e à razão a sua diversificada capacidade,

para abrir caminhos para outro campanário,
aonde a novidade é o seu secreto diário
e o extravasar de emoções a sua dualidade,
entre o que está e não está na sua infinidade.

Homem algum é desprovido de sentimento,
o que ele faz é capacitar-se do alheamento
requerido pelo sonho que na alma sossega.

Mas, ah, o solidário e restrito pensamento,
só me serve de distinto e aprazível alimento,
se mi alma cala no acto de sua entrega.

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