LAS FILIGRANAS DE PERDER

septiembre 04, 2007

Visita - Colaboración desde Brasil


VISITA
Ronaldo Monte

Ela apenas sabia que era hoje. Não perguntem como ela sabia. Nenhum dado objetivo, nenhum aviso direto. Ela sabia. Uma certa languidez, um quase calafrio intermitente, uma leve nostalgia de paisagens vastas e indefinidas. Não queiram saber. Ela apenas sabia. Era hoje.

E como era hoje, ela tomou um longo banho morno, vestiu a longa camisola de seda branca, escovou os cabelos, molhou nuca e braços com água de colônia, fechou a porta do quarto com chave, vasculhou a rua oito andares abaixo, juntou as duas bandas de vidro da janela, deitou na cama de lençóis recém trocados, apagou a luz e dormiu.

Dormiu e sonhou com fogos de artifício, com cavalos correndo fogosos por prados, com círculos de dança ao redor de fogueira, com águas ardentes queimando docemente suas vísceras.

Acordou com a luz da manhã nascendo no seu rosto. O cabelo em desalinho, a camisola deslizada aos pés da cama, uma fadiga tênue nos músculos.

Ela sabia. Tinha sido há pouco. Um rumor de asas afastava-se da janela aberta.

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